28.6.09
É planta de vaso,
que enfeita,
qualquer ambiente.
Não entra na terra,
parece de plástico.
Carece de cuidados,
não sabem,
esperar pela chuva.
Não fincam raízes,
e se quebram,
ao menor vento.
Parecem,
filhos criados com vó,
em dias de férias.
Tem as que não podem mesmo viver na terra,
mas outras,
tem medo das pedras,
que as impedem de crescer.
Jesse Marlon
Não estou mais,
à mercê do tempo.
Não há vento,
ou tempestade,
que me tirem do chão.
Estou firme,
não mais vulnerável,
à paixão.
É tempo de paz,
e os ventos em minha nau,
sopram,
para novos tempos.
Jesse Marlon
Quase tudo,
me invade,
os sentidos sexuais.
Poucas fêmeas,
ficam de fora,
de minha libido.
Saias, decotes e curvas,
viram logo fantasia.
É tão feroz,
este instinto,
que não sei,
se deveras,
saí das cavernas.
Jesse Marlon
Não choro,
nem me ocupo,
com o luto,
que criei.
Condenei minhas mazelas morais,
que alimentavam,
um mundo paralelo.
Lá, vivíamos da ilusão,
uma energia sustentável,
eu e meus súditos,
que agora, órfãos,
choram.
Jesse Marlon
As lembranças,
chegam inocentes,
arredando o consciente,
ocupando toda a mente.
Até parece que trazem alegria,
vem em tom de nostalgia,
falando de raízes.
Mas é tudo ficção,
entorpecem a realidade,
inibindo o progresso.
Toda vida,
tem que ter um passado,
mas é lá que ele deve ficar,
até que o hoje,
fique junto dele.
Jesse Marlon
Não boto fé,
no amor,
que digo ter,
a todos que são meus.
Se nada,
nem ninguém aqui,
são meus.
Nenhuma matéria física,
ou humana,
tem nesse mundo,
um senhor.
Não é amor,
o que diz ter um soberano,
se condena por traição.
Não tem amor ainda não,
só um orgulho de posse.
Jesse Marlon
Será que tudo isso,
é só por um pouco de ilusão,
pra eu suportar minha mente?
Essa abstinência e o excesso de realidade,
está me torturando.
As vezes,
não sei se estou certo,
se sinto ou se vivo.
Se quero,
o que devo querer,
ou se fujo às regras,
e me ouço.
Jesse Marlon
7.6.09
Do barro que fui feito,
foi também feito um talibã;
um Einstein;
uma Dulce,
e todas esculturas humanas.
A lama é a mesma,
só difere,
o tempo de cura.
Mas somos muito iguais,
expostos aqui,
nessa prateleira.
Jesse Marlon
Passam os trens,
param,
e eu não embarco.
Fico parado na estação.
Ouço de longe,
chegar mais um,
prometo para mim,
que nesse eu vou.
E deixo-o ir.
O caminho é duro,
é de ferro,
não se importam se eu não vou,
tem muita gente pra subir.
Gente seguindo qualquer destino,
sem medo de se arrepender,
e feliz, por sair do lugar.
E eu, ainda aqui,
sentado na estação,
olhando para os ponteiros,
que nervosos,
me alertam,
que devo ir.
Jesse Marlon
Partir, de um dia,
é deixa-lo,
e não voltar.
Nem ter pressa,
de chegar ao próximo.
E lá,
depois de muitos dias,
lembrar-me-ei,
deste,
de onde parti,
com boas recordações,
dos bons tempos,
mesmo que não percebi.
Jesse Marlon
Não há lembranças de colheitas,
na mente pobre de um sonhador,
que não teve antes,
o trabalho de plantar.
Não pode ele,
imaginar,
os frutos frescos,
que só refletem,
ao brilho,
das gotas do suor.
Jesse Marlon
O tempo que envelhece meu corpo,
é o mesmo que ensina me a viver.
Temo perecer,
antes de me conhecer.
Pois não há instrução mais avançada,
pra eu intender.
Esse tempo,
não me cobra,
nem me apressa,
não se importa,
que eu continue a repetir o primário.
Jesse Marlon
Coma, beba,
consuma e não pense.
Só assim será feliz.
Vote e esqueça,
não mude o que já está pronto,
não carece de escolher, ligue.
Vivemos por você.
Pague e ganhe.
Não sinta dor, compre.
Não há vida sem ter,
troque, jogue fora.
Você precisa.
Entre, tome um café,
e pegue seu carnê
Jesse Marlon
10.5.09
Viver, como se fosse,
só por um dia.
Consumir, sem deixar sobrar,
não ter nem onde guardar.
Andar, até cansar,
e voltar.
Fazer, até acabar,
sem deixar pra depois.
Não deixar que a mente veja,
só os olhos.
Sentir com o coração.
Deixar pra mente,
a tarefa de,
te manter de pé.
Beijar, amar,
tocar uma flor,
como se fosse fertiliza-la;
gozar à sombra fresca,
sem especular o sol,
nem sentir saudades da chuva.
Jesse Marlon
Nossa vida íntima,
é semelhante à semente,
que sufocada sob a terra,
se desenvolve,
sem ninguém ver.
Ao eclodir,
encontra intempéries e
dificuldades em se manter viva.
Luta contra as ervas daninhas,
para se estar ao sol.
Jesse Marlon
Não se nasce torto,
nem num mundo cão;
nada é por acaso.
Tudo está em nós.
É engenharia da consciência,
formamos e moldamos o que somos,
mesmo que inconsciente.
Somos artífices de nossa existência,
por isso,
somos deuses.
Jesse Marlon
Não são só letras em sintonia,
animadas por uma alma.
São seres vivos,
carregados de energia.
Criação Divina, assim como nos.
Tutelamos as letras, como a nossos filhos;
e aí deixamos a vida levar.
Crescem e formam frases,
que fazem curar um câncer,
ou declarar guerra.
Jesse Marlon
Que bom que voltou à realidade,
foi tudo uma espécie de sonho.
Nunca nasceu,
nem morreu nessa idade.
Não houve vida,
foi só um tempo de provas,
um teste de expiação.
Já passou.
Não chore por aqueles que matou,
esqueça suas guerras,
você não sabia,
que haviam crianças lá.
Perdoe-se pela corrupção;
destruição; maldade;
pela falta de jeito,
com a criação Divina,
e os dons que recebeu.
Daqui um tempo,
estarás pronto,
pra nascer gente.
Jesse Marlon
Sinto uma overdose de razão,
que me impede de criar.
É uma angústia, que me invade,
no mais fundo de minha alma,
e destrói as células da esperança.
Congestionam meus sentidos,
cristalizando a mais pura criatividade,
as conquistas pretéritas e
doadas por misericórdia Divina
arquivada em meu ser.
Jesse Marlon
Não é pra se preocupar muito,
com a vida.
Não seria exposta,
tão frágil que é,
uma vida na terra,
se não fosse só pra expiar;
uma espécie de rascunho.
É só um corpo,
montado com ossos,
que quebram.
Jesse Marlon
Não é só o corpo que sofre,
as dores que a alma traz.
Sofrem também seus pares,
e todos que viveram com ele.
A alma segue,
deixando seus corpos,
e as almas de quem ficou.
Vão se encontrar,
em outra ocasião,
para o expurgo das dores.
Jesse Marlon
Abra, com a mão,
um sorriso forçado,
apertando os olhos,
subindo à testa.
Serre os olhos,
e os sombreie com os dedos.
Escorregue seus dedos,
nas sobrancelhas,
e as deixe cair no rosto.
Uma os dedos no bigode,
escorregue novamente,
e caia ao cavanhaque.
Atente-se ao queixo.
Contorne todo o rosto,
com a mão.
Serre o punho,
na frente da boca.
E pense.
Jesse Marlon
Será que não sei o que é certo,
e faço,
o que sei de fato?
Não tem a terra,
sementes melhoradas de humanos,
que mude essa raça,
primitiva e ignorante,
ou adubo que dê jeito?
De que porra será que fomos feitos,
que gente foi essa,
que nos precedeu?
Parece que não somos filhos da terra,
e cada um de nós,
somos uma espécie diferente,
de canibais morais.
Jesse Marlon
Cabe na ponta de meu dedo,
um ser vivo,
que virá a me alimentar.
Sabe-se lá ele,
disso tudo?
Saberá de sua trajetória
e importância?
Ou as informações chegam,
a seu tempo?
Será que no íntimo,
eu conheço a verdade?
Jesse Marlon
Devia se chamar, esperança,
os gametas e toda semente.
Assim como um novo dia.
Há sempre tempo,
para as mudanças.
Tudo que nasce,
está no seu tempo,
no tempo de fé.
Jesse Marlon