24.5.08
Denuncie

Vivo um quarto da razão,
num quarto,
preso à ilusão.
Não tenho medo da vaidade,
mas tenho medo do perdão.
Nesse canto do meu quarto,
mal vejo a janela,
tenho medo de ver nela,
a verdade no portão.
A luz dessa verdade,
pode entrar,
pode encher, esse meu quarto,
e me livrar da solidão.
Eu não sei se agüento,
tanta verdade,
nem sei viver sem ilusão.
Jesse Marlon
Queria de fato,
viver, de letras no prato,
comendo e vivendo palavras,
letras, que se encantam,
encontram-se ao meu comando.
Letras,
letras sentidas, sofridas,
mostrando às vezes minha dor,
mas sempre, sempre mostrando meu amor.
As letras misturam, procuram a cor,
a cor da verdade,
que matando a vaidade,
mostram quem sou.
Jesse Marlon
É preciso olhar pra trás,
resignar.
Mas nunca antes de tentar.
É preciso lembrar que houve inquisidor,
teimar.
Mas nunca antes de estudar.
É preciso relembrar as guerras,
matar.
Mas nunca antes de perdoar.
É preciso viver em paz,
acreditar.
Mas nunca antes de equilibrar.
É preciso a tudo observar,
e nunca julgar.
Jesse Marlon
Assim que souber a fórmula,
assim que tudo acontecer,
eu vou te dizer.
Assim que souber, que tudo o que quer,
é só me fazer morrer.
A vida não é sorte, é tudo norte,
não sabe o que vai ser.
O HIV nada tem,
só quer morrer,
não sabe se quer viver,
não sabe que quer prazer.
Mas é diferente,
é com medo e com dor.
Na vida, só resta ter dor,
te ver, pra crer, sentir,
e esquecer.
A vida não tem sabor,
é tudo ilusão.
A vida não é orgasmo,
nem tudo é pintado,
a alma é transparente,
engana a gente.
Jesse Marlon
A palavra não foi dita,
vivida ou escrita,
a palavra não foi lida,
numa ou noutra mídia,
ela foi currada, na minha mente.
O consumo irracional,
é fruto da imaginação,
é nossa, a ilusão.
O cara da televisão,
toma-me por vocação,
se não ouço seu lamento,
hoje, o dia não foi em vão.
Acordei depois desse dia,
diferente,
consumista inteligente.
Nada é só meu,
nada é pra agora,
nada é pra sempre,
nem vivo diferente.
Só como, uma vez,
e só vejo, à três dimensão.
O tempo que me dirá,
o que é que eu vou comprar.
Jesse Marlon
Há quanta tristeza,
quanta falta de esperança,
quanta gente á dormir,
sem ter pra onde ir,
nem servir.
Há quanta gente burra,
fazendo de tudo pra a gente lutar.
Quanta gente inteligente,
fazendo com que a gente,
passe na vida.
à servir essa gente.
Há quanta gente,
Quanta gente incompetente,
mandando na gente,
na vida da gente.
Quanta gente,
morrendo e vivendo,
debaixo dessa gente.
Há quanto sofrimento,
tanto ouro pra pouca gente, inteligente.
Há também tanta gente,
que só para ser gente,
quer ser igual aquela gente.
Jesse Marlon
Hoje em dia,
tudo parece maresia,
tudo morre a cada dia.
Toda vez que eu invento,
que tento uma nova emoção,
parece que vem uma água fria,
que destrói, dói e desfaz a agonia.
Ainda bem,
que tudo era maresia,
porque foi feita com ilusão,
de minha parte,
sem coração.
Sabe, ás vezes me sinto feliz,
parece que vejo o que fiz,
e vejo que é infeliz.
Hoje, à tarde,
Eu me vi,
naquela parede em branco,
parecia um tanto,
mas, era não.
Era tudo feito de cordão,
fácil de arrebentar,
mas parece que era de verdade,
mesmo com tanta maldade,
a vida não morre não.
Jesse Marlon
Não faço parte desta arquitetura,
não sou peça deste cenário,
apenas um ator de passagem.
Só vim pra ver, sentir e partir.
Não tenho pressa, mas tenho dor,
não tenho medo e sinto frio.
Preciso de um norte, comida, e colo.
Não sou dono, só tutor.
Meu inimigo é meu interior,
entre ácidos e egos, batalhas são travadas,
entre verdades e ilusões .
Jesse Marlon
A verdade não tem cor.
Apenas seu tempo,
não é flor, nem pedra, não é ilusão.
É toda luz, é o princípio, é a certeza.
A cada vinda, se conquista um pouco, e na ida guarda pra volta.
Quando chega, esquece e recomeça.
Assim crescemos, nos libertamos da ignorância da guerra, da dor,
da paixão em plena liberdade.
A verdade é a resposta para as trevas,
o milagre que resolve tudo, elimina o ciúme, a vaidade, a incerteza…
É como respirar, basta acreditar, está dentro de nós,
assim como o ar fica por aí, e sempre vem quando o chamamos,
assim também, sempre vem uma onda depois da outra.
A cada instante, em uma conversa, em cada dia, nas dúvidas,
eu encontro uma gota da minha verdade.
Jesse Marlon
A vida não vicia,
e com desafios abre a consciência,
não responde,
ensina com atitudes,
não bate.
A vida não castiga, é sábia.
Não é o parto, nem o túmulo.
É fruto verde que sem saber, vai amadurecer,
e depois morrer,
morrer pra saber renascer, até crescer.
A vida ensina e cobra o saber,
e depois que crescer,
morrer e nunca mais sofrer.
Jesse Marlon
To aqui trabalhando,
to ganhando pra viver,
às vezes o dia passa,
às vezes passa não.
Me falta,um o quê.
Uma vontade de fazer, de criar.
Uma falta de sei lá o quê.
Não me entendo, não me acho, nem me vejo.
A vida passa, tenho medo de perder,
de não fazer, de não criar.
Porque o tempo passa.
Jesse Marlon
Minha vida não pode ser só isso.
Ela não pode ter como principal, o corpo.
Ela não pode ser assim.
Eu não posso apenas viver para comer.
Eu tenho fome de ser, de viver de verdade.
As paredes deste mundo me apertam, me limitam.
Fazem-me sofrer, a verdadeira dor, a dor do ser.
Minha vida está além, me aguardam, me esperam.
Todo mundo quer me ver.
Lá, no meu lugar, onde eu ainda não posso ver.
Jesse Marlon
Antes que seja tarde,
que o tempo passe,
que eu desista,
que a vela se apague, e o sol morra.
antes que a praia padeça.
Enquanto insisto no instinto,
ignorando a intuição latente e impaciente.
Meu espírito sufocado carece de aflorar,
desesperado procura a luz,
que eu insisto em bloquear; mas em vão,
ele cresce e evolui,
e me leva.
Jesse Marlon
Um cérebro doente é capaz da guerra.
Um homem sem trabalho não consegue sorrir,
a fome não dá paz, há crianças em trevas,
a guerra, a lama, o refúgio.
O cérebro esquece onde está:
na guerra; na chuva; sob bombas; um sorvete; o colo da mãe; o choro; a escola.
Não pode andar.
O cérebro não sabe se é a mente, ou outra guerra, um orgasmo à força, não me lembro.
Estou vivo?
Não sei se sou homem ou bicho.
Procuro comida no chão da guerra, capim, sangue, terra.
Não pode ser a morte, não tem luz. Ou a guerra está na morte?
É pesadelo, é real?
Não sei onde estou, não sei nem se sou,
não vejo o que sinto, nem sei onde vou.
É guerra, é morte, está frio, não conheço ninguém.
Onde está minha mãe?
Não consigo acordar, as flores, o mar, um sorriso, sei lá.
Jesse Marlon
Quando aqui entrei parecia que não ia gostar,
tudo era diferente de tudo, se comparado a tudo que eu não me lembrava,
quando vivia fora daqui.
Fui aprendendo, conhecendo, e entendendo, o tempo passando rápido,
talvez por isso não conseguia acompanhar, não aprendi logo de entrada,
apanhei, caí, mas fui crescendo, não como queria, mas devagarzinho.
Fui tentando acreditar que não devia entender ninguém,
nem deixar que me compreendessem .
Aprendendo que deveria passar, usar, servir sem destruir, mas seguir.
Aí foi chegando o tempo de sair,
fui modificando, me enrugando, porém aqui, foi que eu mais entendi,
cada dia era maior do que quando cheguei,
degustava cada gota de segundo,
fui me conhecendo e entendendo porque era hora de partir.
Jesse Marlon
Como é bom ficar sem pensar,
deixar, gozar sem culpa, nem ressaca moral.
Molhar na chuva, dormir sem banho,
almoçar sem balança.
O domingo de pijama, sem pasta de dente,
e gente irritante na tv,
um arroto de cerveja, um belisco,
é bom não pensar.
Só preguiça, à-toa, sem saber que vai amanhecer uma segunda,
antes da sexta.
Viver sem querer, sem pressa de morrer, de trabalhar, correr, sem nada a ver.
Jesse Marlon
Trabalho na repartição. Tudo é público,
nada é urgente, tudo muito lento,
o único movimento é em frente ao ponto,
todo mundo tem pressa.
O almoço é uma, mas fazem duas, as vezes três.
Ta chegando o material, tem café, tem jornal, tudo é devagar, público.
Uma lixa, base, a revista.
Uma volta na cantina, um oásis, tá calor,
como no serengete, um refúgio pra gnu
O tempo passa vagarosamente,
os ponteiros se arrastam numa preguiça medonha,
como os passos no corredor, entre uma piada e um café.
Trabalho na repartição, um trabalho importante,
ás vezes fácil, mas sempre lento.
Jesse Marlon
Ainda ontem, lembrei-me de você,
por uns instantes esqueci da realidade,
envolvi-me com a ilusão e acabei na melancolia.
Entranhando-me na fantasia, me vi àquelas noites e dias.
Acordei hoje na realidade,
toalha molhada, apenas uma taça no pé da cama.
Era tudo um sonho.
Aproveitei para me lembrar de esquecer,
que tenho mesmo que não lembrar-me mais de você.
Jesse Marlon
A palavra dita e aceita ao vento, não fere,
mas se o ego a absorve, fere, mata.
A palavra é o palco,
o outro, a dor e o amor,
ela viaja, transmite cria,
é também a guerra, o desconforto a perda, a dor.
A palavra é o símbolo da vida,
é esperança aflita da luz, do saber.
Ela é a virtude, o ódio, é a causa de tudo,
está mais próxima de quem a produz.
Fere ou ama seu criador, é o primeiro, a saber.
A palavra é a boca, a mente, a massa,
é o som, mas também é mente.
Mente de céu ao mar, da flor à pedra, da alma à luz, é a luz.
A palavra não tem cor, não tem fronteiras, nem sabor,
ela só tem destino por causa do meu amor.
Ela é amiga, é esperança, é o fim.
Jesse Marlon
A terra não tem verdade,
felicidade, nem amor.
Aqui só tem saudade,
paixão, muita ilusão.
Não há tempo,
é passageiro.
Se preso à matéria,
maior é minha dor.
Sinto que há alguém,
não longe, mas aquém,
separados por dimensão.
Na terra não há certeza,
que supere a morte,
efêmera, por sorte.
Tudo aqui é aprendizado,
o batismo não me isenta
da sorte do ouro,
ou o calo na mão.
A terra só tem um diploma que convém:
A alforria do espírito,
o retorno garantido.
Jesse Marlon
Anda que o tempo passa,
a vida passa.
Anda.
Antes que eu me esqueça,
ainda que o dia nem apareça.
Anda logo, não me aborreça,
peça, faça, não se intrometa.
Anda.
Anda pra frente, que nem numa corrente,
que não pára e vai só adiante.
Anda que já é tarde,
mas nem tanto. Quanto vale um tanto?
Anda.
Anda sem parar, só de vez pra descansar,
que demore. Anda.
Anda. De noite e de dia,
com pouca ou nenhuma alegria,
calor, ou numa tarde fria.
Anda.
Anda de pé, erguido sem pouca, ou má fé,
mesmo que não dê pé, anda.
Hoje; amanhã; todo dia,
deixe a cama vazia.
Anda.
Jesse Marlon