18.12.08
Escondendo atras de um corpo morto,
a toga, o terno,
e porque não, a farda,
comem, um outro corpo,
agora morto,
morto de sangue,
não igual a eles,
de vida.
Não sabem os tolos,
que não se esconde:
de pano, de ouro ou de letras,
a obra de um corpo.
Um corpo, é só um corpo,
vai ser morto,
e o povo,
vai sofrer de novo,
enquanto tiver peso morto,
vivendo, só do corpo.
                 Jesse Marlon
Dai aos homens,
a estes, que estão no poder,
e seus bajuladores,
tudo o que já foi dado a César,
que dessa riqueza,
eles se fartem,
pois estarão aÃ,
e só aÃ,
suas felicidades.
Aos homens comuns,
como eu e outros,
cabe-nos trabalhar,
para a todos sustentar.
                Jesse Marlon
É verdade!
Deus provê.
Mas é preciso tecer,
semear,
é preciso fazer,
um pouco diferente,
dos pássaros e dos lÃrios.
Mesmo que não chova,
que a terra adoeça,
e demore pra amanhecer.
Deus,
a tudo provê.
Só é preciso fazer,
e esperar que aconteça.
                  Jesse Marlon
Quantas cercas, nesse curral,
tantas chances de pular.
Não há cercas que segure,
toda força duma libido.
Tanto no lado de lá,
quanto o de cá,
pode ter o bichinho,
de matar.
Ele se esconde na beleza,
no desejo de amar,
até morrer.
             Jesse Marlon
Por que caminhão, invés de trem?
Morre tanta gente,
nas estradas de chão,
enquanto que a de ferro,
não tem nem intervenção.
Com um trem,
carrega mais de cem caminhão.
Por que caminhão?
se o ar fede mais,
se comparar.
Por que não o trem?
se até a vista, é mais bela,
de dentro de um trem.
E se falar de barulho, de dinheiro,
vence, outra vez o trem.
                     Jesse Marlon
Por que que põe concreto,
nas molduras das ruas?
É pra prender a água,
e virar enxurrada?
Pra acabar com as coisas,
e matar a gente?
Se não, pra que que é?
Põe logo, pedra:
quadrada ou redonda,
pra não deixar a água se conspirar,
e formar enchente,
e descer em paz,
até o lençol.
           Jesse Marlon