10.5.09
Viver, como se fosse,
só por um dia.
Consumir, sem deixar sobrar,
não ter nem onde guardar.
Andar, até cansar,
e voltar.
Fazer, até acabar,
sem deixar pra depois.
Não deixar que a mente veja,
só os olhos.
Sentir com o coração.
Deixar pra mente,
a tarefa de,
te manter de pé.
Beijar, amar,
tocar uma flor,
como se fosse fertiliza-la;
gozar à sombra fresca,
sem especular o sol,
nem sentir saudades da chuva.
Jesse Marlon
Nossa vida íntima,
é semelhante à semente,
que sufocada sob a terra,
se desenvolve,
sem ninguém ver.
Ao eclodir,
encontra intempéries e
dificuldades em se manter viva.
Luta contra as ervas daninhas,
para se estar ao sol.
Jesse Marlon
Não se nasce torto,
nem num mundo cão;
nada é por acaso.
Tudo está em nós.
É engenharia da consciência,
formamos e moldamos o que somos,
mesmo que inconsciente.
Somos artífices de nossa existência,
por isso,
somos deuses.
Jesse Marlon
Não são só letras em sintonia,
animadas por uma alma.
São seres vivos,
carregados de energia.
Criação Divina, assim como nos.
Tutelamos as letras, como a nossos filhos;
e aí deixamos a vida levar.
Crescem e formam frases,
que fazem curar um câncer,
ou declarar guerra.
Jesse Marlon
Que bom que voltou à realidade,
foi tudo uma espécie de sonho.
Nunca nasceu,
nem morreu nessa idade.
Não houve vida,
foi só um tempo de provas,
um teste de expiação.
Já passou.
Não chore por aqueles que matou,
esqueça suas guerras,
você não sabia,
que haviam crianças lá.
Perdoe-se pela corrupção;
destruição; maldade;
pela falta de jeito,
com a criação Divina,
e os dons que recebeu.
Daqui um tempo,
estarás pronto,
pra nascer gente.
Jesse Marlon
Sinto uma overdose de razão,
que me impede de criar.
É uma angústia, que me invade,
no mais fundo de minha alma,
e destrói as células da esperança.
Congestionam meus sentidos,
cristalizando a mais pura criatividade,
as conquistas pretéritas e
doadas por misericórdia Divina
arquivada em meu ser.
Jesse Marlon
Não é pra se preocupar muito,
com a vida.
Não seria exposta,
tão frágil que é,
uma vida na terra,
se não fosse só pra expiar;
uma espécie de rascunho.
É só um corpo,
montado com ossos,
que quebram.
Jesse Marlon
Não é só o corpo que sofre,
as dores que a alma traz.
Sofrem também seus pares,
e todos que viveram com ele.
A alma segue,
deixando seus corpos,
e as almas de quem ficou.
Vão se encontrar,
em outra ocasião,
para o expurgo das dores.
Jesse Marlon
Abra, com a mão,
um sorriso forçado,
apertando os olhos,
subindo à testa.
Serre os olhos,
e os sombreie com os dedos.
Escorregue seus dedos,
nas sobrancelhas,
e as deixe cair no rosto.
Uma os dedos no bigode,
escorregue novamente,
e caia ao cavanhaque.
Atente-se ao queixo.
Contorne todo o rosto,
com a mão.
Serre o punho,
na frente da boca.
E pense.
Jesse Marlon
Será que não sei o que é certo,
e faço,
o que sei de fato?
Não tem a terra,
sementes melhoradas de humanos,
que mude essa raça,
primitiva e ignorante,
ou adubo que dê jeito?
De que porra será que fomos feitos,
que gente foi essa,
que nos precedeu?
Parece que não somos filhos da terra,
e cada um de nós,
somos uma espécie diferente,
de canibais morais.
Jesse Marlon
Cabe na ponta de meu dedo,
um ser vivo,
que virá a me alimentar.
Sabe-se lá ele,
disso tudo?
Saberá de sua trajetória
e importância?
Ou as informações chegam,
a seu tempo?
Será que no íntimo,
eu conheço a verdade?
Jesse Marlon
Devia se chamar, esperança,
os gametas e toda semente.
Assim como um novo dia.
Há sempre tempo,
para as mudanças.
Tudo que nasce,
está no seu tempo,
no tempo de fé.
Jesse Marlon
O que se passa,
no escuro da cova,
onde a semente se acomoda.
Que é que vai avisa-la,
a hora de eclodir,
e sair daquele tédio.
Que prazeres a terra oferece,
às raízes,
que nela permanecem
e se entranham cada vez mais fundo.
Jesse Marlon